Quem não gosta de brincar de amigo oculto? Ou amigo secreto como se chama em alguns lugares? Eu sempre gostei, as crianças amam e muitas vezes esperam pela brincadeira que geralmente acontece no fim de ano…

Hoje em dia existem as trocas também de amigo Choco.  Alguma dúvida que a criançada ama receber um chocolatinho?

Tudo é válido, mas num mundo onde o consumismo está cada vez mais em alta, é extremamente necessário incentivar a simplicidade de vida e muitas vezes as crianças não sabem como viver isso. Aí que entra a conscientização dentro das famílias e pelos adultos que a rodeiam.

Na escola, a professora ensinou para as crianças a brincadeira do amigo anjo! Cada criança era um anjo e semanalmente elas enviavam uma cartinha secreta ao amigo que ela tirou. No final do mês revelava-se quem era o amigo anjo de cada um com um bombom para complementar o carinho.

A professora tentou por algum tempo, mas, segundo Maria a brincadeira parou pois a professora notou que as crianças estavam mais interessadas no chocolate e muitas não abriam a cartinha. Que pena! Era preciso talvez insistir no valor de se receber um carinho de um amigo e quanta importância isso tem nos dias de hoje.

Esses dias na capoeira, a professora Luisa também deu seu ensinamento. O amigo oculto foi tirado e o presente era um desenho, uma pintura, um poema ou o que a criatividade mandasse. Sim, simplesmente um carinho sem praticamente gasto algum. Claro que as crianças queriam outra coisa, alegando também que seria mais fácil ir na loja e comprar um presente do que fazer um desenho. “Faltaria” tempo pra isso. Falta também o incentivo diário para as coisas mais simples da vida…

Maria tirou a amiguinha do coração que também estuda com ela na escola

Maria tirou a amiguinha do coração que também estuda com ela na escola. Do lado, completando a simplicidade, nosso Presépio.

Me recordo e falei com Maria que sempre gostei de escrever cartinhas e guardar as recordações dos meus amigos. Lembro-me que criei quatro cadernos de atas com todas as lembranças que ganhava. Um desenho, um cartão, ou outras coisas que eu julgasse importante  guardar.

Conversei com Maria e disse que simplesmente amei a ideia da tia Luisa. Que a escola também deveria vivenciar e incentivar mais a simplicidade com atitudes assim. A professora ressaltou que a intenção era estimular a fase da infância de forma mais criativa. Como ela mesma explicou, hoje tudo se recebe pronto nas mãos e as crianças criam cada vez menos: desenhar, escrever, inventar. Sabendo ser importante esse processo para a fase futura que virá, a professora já disse: “não vou abrir mão disso” .

Fiquei muito feliz com esse incentivo da capoeira e parabenizei tia Luisa por essa atitude que ao meu ver deve ser sempre valorizada. O mundo consumista está aí para engolir a todos nós e sabe muito bem envolver as crianças com maestria, então, o que vier para contribuir para que alguma forma de simplicidade também envolva o mundo da criança, com certeza será sempre bem-vinda.

A criança não carrega culpa de nascer e crescer nessa sociedade que desvaloriza cada vez mais as coisas simples da vida: o abraço sem nada em troca, as mãos vazias que permitem assim segurar outras mãos, a alegria de um carinho através de uma arte feita por elas, o bilhete despretensioso dizendo o quanto gostam de um amigo…

Maria concordou com o que lhe expus e fez um lindo desenho para a amiga Cecília !   :)

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Igualmente recebeu um desenho cheio de cores e vida do amigo João!

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Depois da entrega do desenho aquele abraço afetuoso e sincero. Feliz com a alegria de presentear e receber o que é  simples e verdadeiro. Que maravilha!!!

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Que gostoso é ver a alegria simples nos gestos e sorrisos das crianças. Não tem valor que pague esses momentos!

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As crianças se divertiram nesse momento lúdico de aprendizado e simplicidade. Um pedacinho da turminha que precisou se dividir devido à programação escolar. Mas conseguiram festejar a brincadeira com muita alegria.

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Aqui não tem perfeição, e quem consegue viver de modo perfeito nesse mundo materialista? Nem mesmo nós adultos não é mesmo? Por mais que tentemos, muitas vezes vacilamos. E como isso é impossível, nos concentramos em trazer um equilíbrio a tudo sempre que temos oportunidade, não permitindo assim, que o consumismo se mostre de forma tão desenfreada, trazendo através de alguns exemplos e muita conversa, um pouco de simplicidade de vida.

Tarefa fácil? Não! Mas é preciso tentar  e mostrar que mesmo que seja necessário o consumo, é também importante viver com mais leveza… leveza essa que só a simplicidade consegue trazer!

Por Teresinha Nolasco, Mãe da Maria!